terça-feira, 15 de agosto de 2017

O ancião e a corsa - PARTE II


A estória vem do Marrocos 
Trazendo sabedoria  
Falando sobre mulher
Ciúme, ódio, feitiçaria 
Amor de pai, sofrimento
E a morte por tirania. 

Hamid estava num bar 
Esperando um grande amigo 
Que, para fazer negócios,
Passou um tempo sumido 
No retorno trouxe uns cães 
Cabisbaixos sem latido.

Este misterioso amigo,
Deve o leitor conhecer,
Era o dono dos cães negros 
Que sentou para dizer 
A estória da sua família 
O que lhe foi acontecer.

Depois de ouvir com atenção
À estória de sofrimento 
Hamid resolveu contar 
Todo seu padecimento 
Iniciando pela busca 
De mulher pra casamento.

Era rico de nascença
Do comércio faturava 
Mas mulher não conseguia 
Em toda casa que andava
Pagaria qualquer dote 
Desde que fosse educada.

Depois de andar pelo país 
Procurando por uma esposa
Ele achou uma jovem que 
Tinha um olhar de mariposa 
Sorriso dissimulado 
Astúcia de uma raposa.

Resolveu lhe apresentar
A quem fosse sua amizade
Achando a mulher perfeita 
Que vivia da honestidade 
Os amigos no contraponto 
Viam esperteza e falsidade.

Como não adianta falar 
A quem esteja apaixonado 
E conversa da amizade 
Não entra em coração fechado,
Com menos de trinta dias
Já se fazia um homem casado. 

Depois de um tempo casado 
Vivendo a felicidade 
Começou a esperar por filhos 
Por falta de novidade 
Apesar das tentativas 
E por horas de atividade.

Os filhos não apareceram 
Para alegrar o coração 
Hamid sugeriu a cônjuge 
Uma nova solução 
Casar - se com outra mulher
Defendia a constituição.

Resolveu iniciar uma busca 
Em baixa classe social 
Por pessoa que fosse humilde 
De alegria descomunal 
Que aceitasse a situação 
Sem pensar no bacanal.

E depois de certo tempo
Achou mulher que aceitasse 
O fato de ser casado
E com isso não incomodasse 
Não era para falar bem
Apenas que engravidasse.

A mulher ouviu tal proposta 
Aceitou sem ter noivado 
O casório foi com festa 
Na primeira foi gerado
Esperou por nove meses
Nasceu o menino esperado.

A primeira mulher dele
Fez as vontades do marido 
Por fora se via alegria 
Pelo que foi acontecido
Por dentro era só rancor 
Com seu coração partido.

O menino foi crescendo 
Criado com muita alegria 
Tudo que Hamid fizesse 
O filho também queria 
Onde quer que este pai fosse
O pai tinha companhia.

Até que chegou um momento 
De Hamid fazer uma viagem 
Teria um ano de duração 
Sem o menino na bagagem 
Para fazer seu comércio 
E manter paga a criadagem.

No momento da partida 
O menino só chorava 
Agarrado com sua mãe 
Que no desespero estava 
A força que Hamid tinha  
Era crer que retornava. 

Neste trabalho de Hamid 
Não deixe seu pensamento 
Veja como se deu a trama 
Que acabou com sofrimento 
Da mulher e do pequenino 
Com feitiço e encantamento.

A esposa, que era a primeira,
Resolveu estudar magia 
O prazer da enganação 
Ser aprendiz da tirania 
Versada em desfaçatez 
Engrossada com ironia.

Depois de passados meses 
De treino e sagacidade 
Teve uma idéia diferente 
De grande perversidade 
Transformar o menino e a mãe 
Em bovinos de verdade.

O bezerro e a vaquinha 
Foram deixados por ali 
No meio da bicharada 
Só comendo sapoti 
Atrelados nas carroças 
Para o roçado concluir.

Os criados deram por falta
Do menino que era amado 
E daquela moça humilde  
Que com Hamid havia casado 
Se perguntada, dizia:
- Não sei, devem ter viajado.

Depois de passada a viagem
O marido retornou 
À esposa toda animada 
Uma festa começou 
Escondendo na verdade 
O fato que planejou.


terça-feira, 8 de agosto de 2017

O ancião e a corsa - PARTE I


Os cordéis "O ancião e a corsa" e "Os dois cães negros" foram inspirados na leitura do livro "Às mil e uma noites" que é uma coletânea de contos populares do Oriente Médio e da Ásia. Os contos são organizados em árabe e a tradução mais respeitada é a de Sir Richard Burton.

A obra conta a estória de um rei da Pérsia, Chahriar, que após ser traído pela esposa, decide se casar a cada noite com uma mulher diferente, matando-a no dia seguinte. A filha do vizir, Cheherazade, casa-se com o rei para acabar com o massacre. A estratégia de contar estórias à noite permite ao leitor conhecer os contos e um pouco da cultura oriental com situações fantásticas de terror, piedade, amor, ódio e cheias de religiosidade que servem para a criação de novos cordéis. "O ancião e a corsa" é um dos contos deste livro.

O cordel "O ancião e a corsa" ressalta a característica do ciúme entremeada pelo perdão e o sofrimento. Vale a pena conferir!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Paulo Valões - Médico alagoano que foi apresentado no programa televisivo Fantástico

O nome dessa vontade 
A gente sabe de cor 
Para saúde de Maceió 
Um cara bom de verdade 
Do pobre faz lealdade 
Ao lado de todas as mães
Cirurgião do HGE
Trabalha com muita fé
No estresse tem vibrações
Seu o nome, Paulo Valões.




Muita gente comentando 
Ruim do Paulo Valões 
Tenho pena das pessoas 

Que disseram palavrões 
Acredito na intenção 
De apresentar um cirurgião 
Em diversas situações.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Os dois cães negros - PARTE III

Resultado de imagem para mil e uma noites

O segredo do sucesso 
De toda negociação 
Era trazer pra cidade 
O que saísse de montão
Com valor para vender 
Que tivesse aceitação.

Adil começou a viajar
Comprando quinquilharia 
Parava num vilarejo
Comprava o que lá podia
Quando voltava a cidade 
O que comprava, vendia.

Em todo lugar atracado  
Comprava para valer
Animal, comida, roupa
Ou o que pudesse trazer 
Quando retornava ao porto
Longa fila via fazer.

Sua fama de vendedor 
Foi crescendo na cidade 
Pessoas apareciam de longe
De grande notoriedade 
Para tratar de negócios 
Com dinheiro em quantidade.

Em um determinado dia 
Um estranho lhe apareceu
Trazendo uma imensa caixa 
Grande soma prometeu
Se levasse a outra cidade 
Aquele conteúdo seu.

Como a caixa era pesada 
Fez uma recomendação 
Que ela pudesse ficar 
No centro da embarcação 
Para garantir equilíbrio 
Sem prejuízo à flutuação.

Adil aceitou aquela oferta 
Sem de nada desconfiar 
Transportar era seu mercado 
A quem pudesse pagar 
Levá-la-ia com segurança 
D'ali para outro lugar.

Deixe Adil ganhar dinheiro 
E volte um pouco no tempo
Para saber de seus irmãos 
Como foi cada momento
Nas atitudes que tiveram 
E o que se deu em pensamento.

Os dois irmãos não conseguiram
Seu dinheiro duplicar 
Tentaram todo comércio 
E não saíram do lugar 
Ao contrário do mais velho
Aprenderam a reclamar.

Com o tempo passaram a ouvir 
Sobre aquele comerciante 
Que transportava de barco 
Tudo que fosse importante 
Da cidade a capital 
Já faziam fila gigante.

Este homem desconhecido 
Nas vendas dava lição 
Incomodava o comércio 
Desprovido de ambição  
Depois foi que descobriram
Era seu querido irmão.

O sucesso do mais velho 
Começou a lhes incomodar 
O mais novo ficou triste 
Cabisbaixo a protestar 
O do meio deixou pra lá 
Com muita ira no pensar.

Quanto mais passava o tempo
Mais sua fortuna crescia 
Eles muito revoltados 
Só falavam com ironia
Até um deles despertar 
Desejos de tirania.

O caçula assim falou:
- Nosso irmão é muito sabido
Atormenta meu sossego 
Não merece este partido 
Vamos pôr naquele barco
Um pacote com explosivo. 

O outro irmão lhe respondeu:
- Para ter uma solução 
De forma definitiva 
Deve ser grande a explosão 
Que acabe logo com tudo
E com ela vá nosso irmão.

Eles chamaram um bandido
Para o pacote deixar 
Bem meio da embarcação 
Na certeza de afundar 
Do irmão nunca mais saber
E com sua herança ficar.

O bandido levou a caixa 
Confirme foi combinado 
Desapareceu depois
Para rumo ignorado 
Seguindo Adil com o explosivo
Sem nada ter desconfiado.

Já bem longe da cidade
Um barulho aconteceu 
Foi fogo pra todo lado
Muita gente ali morreu
Adil se jogou no mar
Num tonel desfaleceu.

Ele se acordou nas areias 
De uma ilha desconhecida 
Sem casa para abrigar
Só via coco de comida
Levantou-se atrás de palha 
Para arrumar uma guarida.

Depois de passados dias 
Adil mudou o paladar
Peixe com frutas silvestres 
Gafanhoto, tamanduá
Caranguejo com limão 
Manga com maracujá.

Quando à noite ali chegava 
Vinha a maior preocupação 
Que não era ficar sozinho 
Nem morrer de inanição
Tinha os irmãos no pensamento
Saudade no coração.

Perto da margem morava 
Para seguro ficar 
Até que um dia resolveu 
Aquela terra explorar 
Botou peixe na sacola 
E a fé em primeiro lugar.

Depois de muito rodar 
Encontrou um velho no chão 
Perguntou o que se passava
Ele estendendo sua mão
Disse que passava fome 
Que desse bebida e pão.

Ali comida não tinha
Bebida era somente água 
Resolveu lhe dar seu peixe 
E partir d'ali sem nada 
Encontrar novos caminhos  
Continuar sua jornada.

Mais adiante durante a trilha 
Teve uma grande surpresa 
Viu uma pessoa na lagoa 
Morrendo sem ter defesa
Clamando pelo socorro 
Afogando com certeza.

Adil pulou na lagoa 
De forma desesperada 
Puxou pra fora d'ali 
A pessoa quase afogada 
Pegando na mão ela disse:
- Sou grata, muito obrigada.

Mais adiante na sua jornada 
Depois de passar por um monte 
Viu uma idosa sem uma perna
Tentando passar uma ponte 
Pegou a velha nos seus braços 
E seguiu pra o outro horizonte.

Quando ele chegou ao final
O céu todo escureceu 
Da velha cresceu outra perna
O que era cheiro, fedeu
A feição também mudou
Uma bruxa apareceu.

A bruxa falou primeiro:
- Por três vezes tu me viu
Como pessoa precisando 
Do perigo não fugiu
Agindo sem ter pensado 
Até teu coração abriu.

- Nunca conheci na vida 
Uma pessoa com esse amor 
Agora caberá a mim 
Te consentir algum favor 
Aproveite este momento 
Peça seja lá o que for.

Adil tinha na sua mente 
Apenas um pensamento 
Voltar a sua terra natal 
Contar seu padecimento 
Aos irmãos que deveriam estar 
Chorando de sofrimento.  

A bruxa, que era versada 
Nas artes da negra magia,
Foi rápido lhe falando:
- Não te darei esta alegria
Porque teus irmãos são traidores 
Agiram com tirania.

- Tu vais voltar para casa 
E lá terá uma surpresa 
Encontrará estes irmãos falsos 
Não dá forma que deseja 
Mas do jeito que eles são
De acordo com a natureza.

Foi ao chão num sono profundo 
Como a criança antes do parto
Dormindo para uma vida
Como quem come e está farto
Esperando alguns minutos.
Acordou bem no seu quarto.

Acordou com dois cães negros 
Em silêncio lhe vigiando
Levantou-se atarantado  
Seus irmãos foi procurando 
Por toda cidade andou 
Com a tristeza acompanhando.

Lembrou da tal profecia 
Que a bruxa lhe conjurou 
Voltou rápido a sua casa
Os mesmos cães lá encontrou
E com lágrimas nos dois olhos
Entendeu o que se passou.

A poesia foi terminada 
Para Adil se refrescar 
Esquecer-se das amarguras 
Para seu amigo falar 
A estória daquela corsa 
E como ali foi parar.

A inveja foi no cordel 
Causada por frustração 
Sentimento de rancor 
Em frente a limitação 
Para o ganho de dinheiro 
Pelas vitórias de um irmão.

A inveja na nossa vida 
Surge de forma inconsciente 
Aparece com palavras 
Na crítica contundente
Se uma pessoa te incomoda
Tire logo ele da mente.

Não pare a leitura aqui 
Procure ler outro cordel
Que conta a estória da corsa
Usada como um troféu
E o sofrimento do amor
Que era doce como mel.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Os dois cães negros - PARTE II



terça-feira, 11 de julho de 2017

Os dois cães negros - PARTE I

Resultado de imagem para mil e uma noites

Dois amigos se encontraram
Num bar para conversar
Hamid trouxe uma corsa
Com a saudade a disfarçar
Adil trouxe dois cães negros
Com a tristeza a comandar.

Adil começa contando
Com a morte na liderança
Dos seus pais, que eram velhinhos,
Deixando aos seus filhos herança
Para dividirem entre eles
Com parcimônia e confiança.

Ele era o filho mais velho
Foi criado com mais firmeza
O irmão que nasceu no meio
Recebeu delicadeza
O mais novo, que é de praxe,
Como se trata a realeza.

A herança foi dividida
Como disse o tabelião
Cada cá com seu roçado
E a reserva de um milhão
Ficando para o mais velho
O comando e a orientação.

Eles moravam em cidade
De comércio e muita gente
Cada um resolveu investir
Como lhes sugeriu a mente
O dinheiro duplicou
Com o caçula descontente.

O mais novo reclamava
De uma vida sem alegria
Da cidade sem aventura
De ter vinho sem harmonia
Mulher feia de quantidade
E do marulho que ouvia.

Este irmão juntou o que tinha
Da família a despedida
Vendeu tudo sem demora
Dizendo buscar outra vida
Deixou tudo para trás
Partiu sem dar despedida.

Foi bem longe de navio
Para um lugar de progresso
Investiu o dinheiro todo
Recuperou com sucesso
A todo tempo pensava:
"Para lá nunca regresso."

Como a vida não é mãe,
Mas é madrasta de certeza,
Pena dele nunca teve
E ainda trouxe uma surpresa
Um naufrágio destruiu tudo
Acabou com sua riqueza.

Como não tinha reserva
Ele resolveu voltar
Só com a roupa que vestia
E a pobreza em seu pensar
Pedir ajuda a qualquer irmão
Velha vida retomar.

Ao voltar a terra natal
Adil foi lhe socorrer
Recebendo na sua casa
A fome foi desfazer
Após ouvir um breve relato
O problema foi solver.

Pegou metade do seu
E lhe deu sem ter demora
Para ele recomeçar
A qualquer momento e hora
Espantar aquela tristeza
E ouvir outra trilha sonora.

Passadas algumas semanas
O irmão do meio veio contar
Que vivia com muito tédio
Com vontade de viajar
O direito do mais novo
Ele passou a reclamar.

Adil cumpriu seu papel
Fez uma recomendação
Que tomasse mais cuidado
Prestasse em tudo atenção
Para não lhe acontecer
O mesmo de vosso irmão.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Os dois cães negros - Introdução

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Os cordéis "Os dois cães negros" e o "Ancião e a corsa" foram inspirados na leitura do livro "Às mil e uma noites" que é uma coletânea de contos populares do Oriente Médio e da Ásia. Os contos são organizados em árabe e a tradução mais respeitada é a de Sir Richard Burton.

A obra conta a estória de um rei da Pérsia, Chahriar, que após ser traído pela esposa, decide se casar a cada noite com uma mulher diferente, matando-a no dia seguinte. A filha do vizir, Cheherazade, casa-se com o rei para acabar com o massacre. A estratégia de contar estórias à noite permite ao leitor conhecer os contos e um pouco da cultura oriental com situações fantásticas de terror, piedade, amor, ódio e cheias de religiosidade que servem para a criação de novos cordéis.


O cordel "Os dois cães negros" ressalta a característica da inveja entremeada pelo amor e o perdão. Vale a pena conferir!

Se passou lá no Marrocos
Esta estória de invenção
Que se trata de tristeza
De inveja, conspiração
Injustiça e tirania
Para a sua satisfação.